domingo, 6 de abril de 2008

DEILSON PESSOA


Deilson Pessoa nasceu em Cubatão/São Paulo em 12 de Agosto de 1970. Veio pra Sergipe aos 8 anos com sua família que tinha saído de Sergipe para São Paulo. Nosso artista se considera Sergipano. Quando criança, Deilson Pessoa brincava de tocar percussão em panelas, pianos imaginários e violões feitos de pau e lata de goiabada. Durante a infância e a adolescência teve contato com o sertão sergipano através de viagens que seu pai fazia como mestre-de-obras, além de gostar de levar a família durante as férias escolares, fazendo com que Deilson convivesse com o artesanato e alguns costumes do interior. Na sua família sempre houve uma grande influência com a musica, uma vez que seu pai ouvia aos domingos Nelson Gonçalves e Luís Gonzaga, sua mãe sempre trazia vinis de samba e forró que estavam em promoção na Rua Santa Rosa, seus irmãos mais velhos, Nilson e Edílson, iam trazendo as novidades em lançamentos e também o que não chegava pelo rádio. Assim, de mpb a rock, passando por música instrumental, Deilson foi agregando um repertório vasto compartilhado por todos. Aos 16 anos começou a tirar uns acordes no violão e passou a cifrar algumas canções que já compunha antes mesmo de tocar. Aos 17, ingressou no exército para o serviço obrigatório e interrompeu seus estudos ainda no início do segundo grau. Montou uma banda com amigos chamada “Bonança”que era integrada Por Deilson no vocal e na guitarra base, “Nem” na bateria, “Fábio Gordo” na guitarra solo, e “Anderson” no baixo. O primeiro local onde tocaram foi numa festinha pra pacientes na Clínica Psiquiátrica São Marcelo. Tocaram depois num evento da CUT e no Submarino Amarelo, antigo bar underground de Aracaju com o repertório de autoria de Deilson na linha do rock nacional da época. Um ano depois saem “Fábio” e “Anderson”, entra “Bira” no baixo e o trio passou a se chamar `Verve´, mas infelizmente não durou mais que alguns ensaios. “Nem”, o baterista, ficou sendo um grande parceiro musical como pandeirista, dando apoio para muitas composições. Após isso, Deilson passou um período de cinco anos no exército como Sargento. A música, tornou-se algo esporádico, sendo tocada de vez em quando só por diversão com “Nem” e “Franklin”. Ao sair do exército, montou uma fábrica de telas de arames confeccionadas a partir de máquinas que ele mesmo desenvolvia. Nessa época Deilson pegava no violão pra compor, produzindo suas músicas em casa onde iam sendo guardadas nas gavetas. Certa vez estimulado pelo lançamento de `Aplausos mudos´ de Alex Sant´Anna (ver a biografia de Alex no blog), resolveu então gravar um CD com suas músicas e apresentar um trabalho solo, entrando no estúdio em junho de 2006.
Deilson participou de alguns festivais, participou de um na cidade de Estância com a música `Refúgio´, e inscreveu várias no Sescanção, festival de música sergipana, sem êxito. Mas no Sescanção de 2007 classificou a música `Maria Augusta (A Véia do Shopping)´. Antes disso classificou no Festival Novo Canto a música `Náufragos´, que não foi pra final, lançou em 2007 o CD `Súbito e-feito´ ( com a música “Maria Augusta” inclusa) com 13 faixas autorais que tem recebido boa aceitação do público. A tiragem foi pequena, mas em 2008 Deilson vai fazer uma tiragem maior. Todas as músicas do `Súbito e-feito´ são autorais, com arranjos de Deilson Pessoa e de “Theo Lins”, produtor e arranjador. “Theo” também tocou teclados, baixo, e fez as programações, “Rômulo Filho” toca bateria, “Saulo Ferreira” as guitarras, e tem o auxílio do pandeiro de “Nem” e da gaita de “Júlio Rêgo” em "Deixa Star", além do cavaquinho de “Aragão” da “Naurêa” em `Cumplicidade´, e do acordeon de “Mestrinho” em `Depois do Fim´. A música `Vertigem´, também do CD, foi classificada no festival de Itanhandu/MG, e tocou em vários estados brasileiros pelo projeto `Conexão Brasil´ promovido pela Aperipê FM junto à APURB. Em 2008 Deilson fará alguns shows divulgando o CD `Súbito e-feito´, e no segundo semestre entra em estúdio pra um novo álbum que já está concebido. Deilson foi premiado com o melhor álbum e melhor voz pelo prêmio Uirapuru 2007 (http://premiouirapuru.blogspot.com/).
Deilson Pessoa segue uma linha pop, mas não mantém um compromisso de estilo. Na verdade nosso artista gosta de criar em cima de qualquer som que lhe agrade. Suas influências são constantes, independente de época, influências essas que vão de cantigas que sua mãe entoava lavando roupas, até a última novidade que um amigo traz pra ele ouvir. Mas há nomes que marcam sua influência como os tropicalistas, principalmente Gilberto Gil e Tom Zé; o côco de Jackson do Pandeiro, o baião de Luís Gonzaga, a Velha Guarda do samba; no rock tem como influência Bo Diddley, Bob Dylan, The Doors, Tom Waits, Led Zeppelin, The Smiths, Dire Straits; já no rock nacional suas influências se encontram em Hojerizah e Picassos Falsos. Além dessas referências, tem Nelson Gonçalves, Chico Buarque, Moska, Zé Ramalho, Lenine. Os experimentalistas também ganham lugar no seu acervo como Hermeto Pascoal e Naná Vasconcelos. Percebe-se que Deilson possui uma vastíssima influência, sem contar a dita música `brega´ com nomes como Antônio Marcos, Odair José, Márcio Grake, Nilton César, Evaldo Braga e Marcelo Reis. “Eu sempre encontrei na música brega muita coisa boa, e também coisa ruim, como em qualquer outro gênero”.
O momento de criação de Deilson não existe um método exato. “Busco sempre a idéia clara do que quero dizer naturalmente, sem forçação de barra, caso contrário se acaba por recorrer a clichês pobres ou apelar pra metáforas de poética duvidosa”. Nosso artista pode fazer uma música num click como se já estivesse pronta pra ir pro papel. Por outro lado, tem material que já tem uns cinco anos sem concluir. “Prefiro me recolher pra compor, porém muita coisa vem quando estou caminhando na rotina do dia.
Suas letras falam de gente e sobre comportamento, imperando o inusitado. “Mesmo quando se trata do óbvio, costumo abordar de maneira própria, explorando outras nuances”. Em geral gosta de escrever pra que a letra possa ser `lida´, encadeando texto, poesia e música, mas sem comprometer a apreciação de cada um destes elementos individualmente. Mas é importante se observar que nesse processo também não há um método. “Às vezes a profundidade do tema perde espaço pra largura das palavras, às vezes é a textura da palavra quem conduz o texto”.
No que diz respeito à condição do artista no cenário musical local, Deilson acredita que o artista sergipano vive uma condição de amador. Para ele há uma soma de fatores que contribuem pra isso como a insolência do artista que não se aprimora (e vice-versa), a falta de política pública atinente à realidade musical, a falta de estrutura decente pra se tocar, a falta de produtores culturais `de verdade´ em Sergipe. “Não adianta fazer e não ter a mínima estrutura pra sustentar. Não vejo um trabalho que não seja verdadeiramente amador aqui em Sergipe, com exceção de alguns raros forrozeiros. Me aponte um projeto que perdure, que não seja a Rua da Cultura, ótimo trabalho, mas que tem ganhado o aspecto de `cala-boca-voces-tem-o-que-precisam´, por parte da Funcaju”.
O leitor que tiver interesse em entrar em contato com Deilson Pessoa, é só acessar o e-mail: deilson_pessoa@hotmail.com.br; no Orkut: http://www.orkut.com/Profile.aspx?uid=8467040809562904343, telefone: (79) 9994-1250 / (79) 3241-6306; no Myspace se encontra o seu trabalho (www.myspace.com/deilsonpessoa)